quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

"O menor dos males"!


Encontro, no blog tempora-mores.blogspot.com/, uma reflexão que diz: “Parece que vivemos permanentemente em campanha eleitoral, em nossa terra. A política, naturalmente, desperta fortes paixões, interesses e defesas. Muitos políticos, em sua busca pelo poder, passam a demonstrar muitas características demonstradas na vida de Absalão. É natural que alguém que almeja um cargo de liderança qualquer, possua um comprometimento intenso às suas idéias e objetivos. Os partidários, também submergem nesse mesmo espírito de luta. O problema vem quando a paixão, quer pelo líder, quer pelo poder, leva à cegueira moral, como na vida de Absalão. Nesse caso, desaparece a ética e princípios são atropelados. Os partidários, às vezes até sem perceberem, são sugados e manipulados. Em muitas ocasiões verificam que se encontram em uma posição de defender até o que não acreditam.
O cristão tem que se esforçar para ter uma consciência e vida tranqüila e serena perante Deus e perante os homens. Ele tem que se conscientizar que a sua lealdade é primordialmente para com Deus, para com a Sua Palavra objetiva, para com a causa do evangelho. Participação política consciente não significa lealdade inconseqüente. Na maioria das vezes o cristão verificará que se apoia esse ou aquele candidato, assim o faz não porque ele é o ideal e defensável em qualquer situação, mas porque representa o menor dos males, entre as escolhas que lhes são apresentadas. Sobretudo ele não pode se deixar manipular, como no caso dos seguidores de Absalão. Devemos, sempre, com respeito, apontar o desrespeito aos princípios encontrados nas Escrituras, por aqueles sobre os quais Deus colocou a responsabilidade de liderar o governo e as instituições de nosso país, lembrando 1 Tm 2.1-8, intercedendo sempre por eles em oração.”

O Meu sonho é morar numa favela!


O Programa "Realidade" do SBT, com Ana Paula Padrão é maravilhoso!
No de ontem, 11/06, ela entrevistava famílias faveladas, e retratava toda dor e sofrimento de quem vive privado de quase tudo.
Mas a pergunta que me chocou foi quando ela indagou alguém sobre qual era a maior dor que ele sentia (sofrimento)?
Ele respondeu com os olhos, como dizia Janires, "orvalhados":
-"A maior dor é o PRECONCEITO!"
Isso me troxe a lembrança em um dos dias que fomos ao Centro de Formação Che Guevara, na Ocupação de Sem Tetos do Alto do Moura, para mais uma aula do Curso de Formação Política e, naquele dia, aprendemos mais uma lição.
Falávamos sobre a importância do trabalho em grupo, da união, da força que eles tem quando estão juntos lutando por uma causa legal, justa e nobre.
Eles disseram que o que mais doía neles era quando iam a cidade (o bairro fica muito afastado do centro)e na volta, de ônibus (os que tem condições de cumprir este trajeto num coletivo), as pessoas por saberem que eram sem tetos olhavam com desprezo. Mas em momento algum eles baizavam a cabeça e, em algumas vezes se impunham mostrando conhecerem seus direitos garantidos na Constituição.
Tentamos deixá-los convictos de seu valor e nós é que saímos com nossa aulto estima em alta.
Pois é! Num dia como hoje, em que mais uma vez o consumismo é incenmtivado, você já parou para observar quantos estão em sua volta vivendo em situação de extrema miséria ao ponto de não ter o que comer, onde morar e o que vestir?
Já parou para pensar que há por traz disso o que podemos chamar de "pecado social"?
Vamos pensar juntos sobre o problema e também sobre as causas, e até lá, quem sabe, ao menos amenizar a situação daqueles que sonham em morar numa favela.
E por último, vamos nos vigiar para que não sejamos o próximo a faltar com respeito com aquele que foi feito a imagem e semelhança de Deus.
Que Ele nos perdoe por nossa indiferença e falta de mobilização para mudar esse quadro.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

"O Resto do Mundo"


Conheça agora a letra da música "O Resto do Mundo" na íntegra.
Por Gabriel, O Pensador

Eu queria morar numa favela
Eu queria morar numa favela
Eu queria morar numa favela
O meu sonho é morar numa favela
Eu me chamo de cherôso como alguém me chamou
Mas pode me chamar do que quiser seu dotô
Eu num tenho nome
Eu num tenho identidade
Eu num tenho nem certeza se eu sou gente de verdade
Eu num tenho nada
Mas gostaria de ter
Aproveita seu dotô e dá um trocado pra eu comer…
Eu gostaria de ter um pingo de orgulho
Mas isso é impossivel pra quem come o entulho
Misturado com os ratos e com as baratas
E com o papel higiênico usado
Nas latas de lixo
Eu vivo como um bicho ou pior que isso

Eu sou o resto
O resto do mundo
Eu sou mendigo um indigente um indigesto um vagabundo
Eu sou… Eu num sou ninguém

Eu tô com fome
Tenho que me alimentar
Eu posso num ter nome mas o estômago tá lá
Por isso eu tenho que ser cara-de-pau
Ou eu peço dinheiro ou fico aqui passando mal
Tenho que me rebaixar a esse ponto porque a necessidade é maior do que a moral
Eu sou sujo eu sou feio eu sou anti-social
Eu num posso aparecer na foto do cartão postal
Porque pro rico e pro turista eu sou poluição
Sei que sou um brasileiro
Mas eu não sou cidadão
Eu não tenho dignidade ou um teto pra morar
E o meu banheiro é a rua
E sem papel pra me limpar
Honra?
Não tenho
Eu já nasci sem ela
E o meu sonho é morar numa favela
Eu queria morar numa favela
Eu queria morar numa favela
Eu queria morar numa favela
O meu sonho é morar numa favela
A minha vida é um pesadelo e eu não consigo acordar
E eu não tenho perspectivas de sair do lugar
A minha sina é suportar viver abaixo do chão
E ser um resto solitário esquecido na multidão

Eu sou o resto
O resto do mundo
Eu sou mendigo um indigente um indigesto um vagabundo
Eu sou o resto do mundo
Eu num sou ninguém
Eu num sou nada
Eu num sou gente
Eu sou o resto do mundo
u sou mendigo um indigente um indigesto um vagabundo
Eu sou o resto
Eu num sou ninguém

Frustração
É o resumo do meu ser
Eu sou filho da miséria e o meu castigo é viver
Eu vejo gente nascendo com a vida ganha e eu não tenho uma chance
Deus! Me diga por quê?
Eu sei que a maioria do Brasil é pobre
Mas eu num chego a ser pobre eu sou podre!
Um fracassado
Mas não fui eu que fracassei
Porque eu num pude tentar
Então que culpa eu terei
Quando eu me revoltar quebrar queimar matar
Não tenho nada a perder
Meu dia vai chegar
Será que vai chagar?
Mas por enquanto

Eu sou o resto
O resto do mundo
Eu sou mendigo um indigente um indigesto um vagabundo
Eu sou o resto do mundo
Eu num sou ninguém
Eu num sou nada
Eu num sou gente
Eu sou o resto do mundo
u sou mendigo um indigente um indigesto um vagabundo
Eu sou o resto
Eu num sou ninguém

Eu num sou registrado
Eu num sou batizado
Eu num sou civilizado
Eu num sou filho do Senhor
Eu num sou computado
Eu num sou consultado
Eu num sou vacinado
Contribuinte eu num sou
Eu num sou comemorado
Eu num sou considerado
Eu num sou empregado
Eu num sou consumidor
Eu num sou amado
Eu num sou respeitado
Eu num sou perdoado
E também sou pecador
Eu num sou representado por ninguém
Eu num sou apresentado pra ninguém
Eu num sou convidado de ninguém
E eu num posso ser visitado por ninguém
Além da minha triste sobrevivência eu tento entender a razão da minha existência
Por quê que eu nasci?
Por quê tô aqui?
Um penetra no inferno sem lugar pra fugir
Vivo na solidão mas não tenho privacidade
E não conheço a sensação de ter um lar de verdade
Eu sei que eu não tenho ninguém pra dividir o barraco comigo
Mas eu queria morar numa favela amigo
Eu queria morar numa favela
Eu queria morar numa favela
Eu queria morar numa favela
O meu sonho é morar numa favela

"A Pedra do Reino"


a Globo EXIBIU a micro série "A Pedra do Reino".
Nelson Lima (meu irmão) foi convidado para uma participação (um Oficial de Justiça por nome Severino Brejeiro, uma pessoa funesta e contraditória, uma participação pequena, na verdade, quanto a tempo, mas significativa no contexto da história).e acabou fazendo mais três personagens. A história é sobre um massacre de pessoas, até crianças, que tinham de derramar sangue, sacrificar-se, para ressurgir num Reino de Paz. E todo derramar de sangue se dar numa pedra- A PEDRA DO REINO. Mais um lancede fanatismo religioso, rodeado de folclore, romance, suspense e etc.
Entrevistei o Zé recentemente, publiquei na íntegra na Presentia. Segue alguns trechos interessantes:
Na sua opinião a igreja deve afastar-se da cultura (como os monges no passado) ou deve assimilá-la?
Deve assimilar, estudar, participar.
Você acha que caberia a igreja o papel de incentivar o cristão a participar de atividades culturais tipo: visita a museus e exposições, shows de MPB ou teatro, cinema, etc.?
Não. E muito menos proporcionar. Afinal órgãos governamentais e escolas já fazem isto. Basta a igreja não censurar o cristão que têm esse convívio.
Há mais de dez anos você vem trabalhando na igreja da região com esta visão. Que balanço você faz disso tudo? O que mudou, melhorou ou piorou em relação a visão das igrejas?
Exatamente 13 anos, só de tempo integral.
Balanço: (não generalizado) meu compromisso para com Deus, beleza, cumprido. Objetivos alcançados (meus ou de Deus, não sei) quase nenhum. Digo quase, pois vejo hoje ainda igrejas tentando fazer trabalhos teatrais sérios.
O que mudou: minha disposição! E quanto a visão da igreja, acho que melhorou, o que falta é vontade e decisão para executar as melhorias.
De tudo o que você já fez na área cultural o que mais lhe marcou e o que mais lhe frustrou (literária, poesia, teatro, direção, interpretação, cursos, apresentações, etc.?
O que mais marcou – O apoio moral e financeiro do irmão Ademilton Ramos (in-memória), membro da 1ª I. E. Congregacional de Belo Jardim. Apoio que me ajudou a profissionalizar a peça “Biu e Zefa”, e também torná-la em um filme.
O que mais frustrou: (troque-se frustrou por desanimou) Depois de 13 anos servindo, de tempo integral, ao povo evangélico, não só do nordeste mas de todo o Brasil, ter de deixar de fazê-lo por falta de sustento! Falta evangélicos nos teatros, falta evangélicos que gostem de cordel, falta igrejas que encomendem oficinas de teatro.
E a experiência de participar de “A Pedra do Reino”?
Ótima. Foi a primeira providência de Deus, depois da decisão de trabalhar para o público em geral, para prover o meu sustento.

PROFETAS NUM MUNDO A BEIRA DO FIM


Ainda nos anos 80 surgia a Banda Catedral. Não faltavam motivos para as críticas: cover do Legião Urbana, roqueiros de diabo, etc. Sempre mostrando muito mais ousadia em suas letras, demonstrando seu descontentamento com as injustiças do país e do mundo e relacionando tudo com o Criador. Me cativaram logo. Sempre que estiveram em Caruaru tive oportunidade de estar junto e conhecê-los, pelo menos uma dessas vezes foi através de um convite nosso, o show na época foi no Salão de Eventos do Comércio Futebol Clube. Polêmicos? Pois é, mas...
Se não são remidos desconheço quem mais seja. E olha que os observei atentamente em bons e maus momentos que passaram por aqui. Lições? Persistência, Convicção de chamado, Filosofia de Vida, Seriedade profissional, etc...
Numa dessas vezes, conversei com Kim (músico, compositor, líder da banda e psicólogo).

- Pra você, qual é o grande mal da atualidade?- O grande mal hoje em dia é a desigualdade social. Principalmente no nível econômico. A concentração de renda nas mãos de um número muito pequeno de pessoas traz um desequilibro social muito grande. Isso gera muitas coisas inclusive violência, desemprego e outras coisas que são mazelas em qualquer sociedade.
- Nossos jovens são bem comportados assim? E porque vemos tanta violência? Não é um paradoxo?-A generalização que a mídia faz é que é perigosa, por isso eu afirmo que a mídia é que é paradoxal. Tudo que você faz de bom não é propagado. A mídia enfoca sempre o lado ruim da questão. A pesquisa atestou que 90% da juventude não fuma maconha e a mídia prefere enfocar os 10%, apenas estes 10% estão fazendo algo que não é legal.
-Você está em todo o Brasil levantando a bandeira contra a legalização da maconha?-Sim. Eu sou contra porque o nosso país não tem educação. Há uma série de outras questões que precisam ser discutidas antes. O povo não tem informação, não sabe o mal que ela faz. É como uma bomba relógio. Legalizar a maconha hoje seria uma catástrofe geral. É preciso dar condições à população para que a discussão seja mais séria senão não adianta discutir.
Nossa geração lutou tanto por mudanças...
Antigamente eu falava muito sobre esses pontos, hoje em dia eu sou um cara muito cético. O Brasil entrou num circulo vicioso muito grande, tão difícil que a desesperança é total para a maioria das pessoas e até para a classe pensante que antes acreditava que pudesse existir uma mudança com a esquerda no poder.
Eu acho que a podridão no Brasil é muito profunda e é muito difícil de se chegar lá. É como uma cebola que você descasca e é interminável, você não chega no núcleo da questão.
- Politicamente a solução seria qual?- Teria que haver uma reformulação geral. Primeiro através de uma educação mais igualitária para as pessoas. Distribuição de renda, saúde, reforma agrária coerente com este país imenso de tantas terras que existem aí sem uso e com tanta gente morrendo de fome. Você começa a acabar com estes problemas de violência e de tantas mazelas sociais. Mais isto é muito complicado. Acho que o PT e o Lula estão vendo o quanto é fácil ser oposição num país tão louco como o Brasil.
- E o Bush?- Eu já tenho uma posição contrária a começar pelo país. Eu acho um país autoritário, prepotente, que quer dominar o mundo. O povo americano se acha superior a qualquer povo. Isso eu não curto. E, é lamentável ver o Bush fazendo uma guerra imperialista. Nós sabemos os motivos pelos quais ele atacou o Iraque. O Bush possue várias refinarias de petróleo no Texas, toda família dele lida com petróleo. Ele queria explorar o país porque sabe que o Iraque é um dos maiores produtores de petróleo do mundo. Isso é uma coisa antiga planejada desde o pai Bush e agora ele faz. Isso é lamentável e vira uma coisa religiosa muito grande.
É uma versão de Hitler do século XXI, eu não acredito em supremacia de raça, ideológica ou política de ninguém. Na minha opinião os EUA saíram derrotados.
- Que mensagem você deixa para o público que acompanha a banda?- Eu fico muito feliz de está aqui novamente, quero deixar um abraço muito grande para toda galera que curte o nosso som. Estamos vivendo uma nova fase, já estamos a quatro anos no mercado popular, mas sempre muito coerente com nossa proposta de trabalho. Muita paz para todos e longe das drogas sempre!

Tenha um dia feliz...


O poema é de Carlos Drummond de Andrade

”Desejo à você...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mal humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos...”

Enfim,
Chope com os amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender uma nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

SALMO DO POVO EXILADO DE SUA PRÓPRIA TERRA


Baseado no SALMO 137

Nas margens dos rios e ribeiros desta vida,
Nos assentamos e choramos o sangue derramado,
Lembrando-nos da nossa terra aprisionada.
Os donos das cercas exigem: trabalhem contentes.
As autoridades nos pedem tranqüilidade,
Os planejadores da economia propõe consenso,
Os protagonistas pedem para cantar.
Mas, como tocar com instrumentos de morte?
Como canter em terra de escravidão?
Se me esquecer de ti, terra querida,
Que fique seca minha mão direita.
Hoje, silêncio e pranto são os canticos da América
Contra os que tomam terras e levam a vida,
Juntando terra a terra, até que não mais falte,
A mínima porção para concentrar.
Lembra-te, Senhor, lembra-te,
De tantos dias de tristeza
Nos quais as ondas do dilúvio mercantil
Sufocaram nossas terras; ó recordação,
Vê como nos maltrataram e exploraram,
Desde o dia em que pisaram este chão.
Deram ordens como quem grita:
“Arrasa tudo, derruba, sem conversa!”
“Derrubem tudo e vamos embora”.
Gente sanguinária e bem perversa.

domingo, 30 de novembro de 2008

“Livre é quem vive de fé em fé”.


Tive a oportunidade de conhecer alguns servos de Deus que marcaram na minha vida. Recordar alguns deles é compartilhar o quanto fui inquietado pelo que chamo de Educação Cristã Revolucionária, nas palestras, entrevistas e diálogos. Na década de 80, em diversos acampamentos promovidos pelo MILAD (Missão Louvor e Adoração) conheci e tive vários diálogos com Pr. Nelson Jr., Wesley, e Beto – percussionista do grupo que primeiro me despertou o amor pela percussão. Estivemos juntos em eventos da Mocidade Para Cristo em Brasília, num acampamento em Maceió, em Show no Recife e em Caruaru, etc. Aprendi que o louvor daqui era importado da Europa ou EUA, e que não era pecado brasileirizar nossos cânticos, expressando a adoração com nossa cultura. As canções eram chorinho, samba, pop, etc. As letras de uma criatividade, poesia e inspiração que não deixavam dúvidas em relação a fonte. Nesta época só o órgão (sacralizado) era aceito nas igrejas, era proibido “bater palmas” e já surgia a polêmica do músico profissional. Aprendi que “santo é quem toca, não o instrumento”, que advogado, médico, policiais (etc) se convertiam e não precisavam abandonar sua profissão. Que culto vai além das 4 paredes e que liturgia era pra ser aplicada na nossa existência e não apenas das 19:30 às 21hs. O MILAD - Ministério de Louvor e Adoração, é fruto da visão que Deus concedeu para formar um ministério que pudesse agenciar trabalhar nas áreas de "artes-cristãs". Além do grupo musical chamado: "Água Viva", com músicos profissionais-cristãos, desafiados a darem em tempo integral no atendimento das inúmeras oportunidades de trabalho entre adultos, jovens, adolescentes e crianças, realizando apresentações musicais evangelísticas e ministração de Louvor e Adoração. Depois surgiu grupo de dança (muito diferente do que vemos hoje), de artes plásticas, e tantos outros.
Milad hoje está na internet com toda sua história para quem quer relembrar ou conhecer: www.milad.com.br Seus discos, na época em que surgiu a nata da música cristã contemporânea brasileira, são preciosidades para quem possui. Muito difícil destacar uma canção que me chamou mais atenção ou que me marcou. Mesmo assim, escolhi “NAVIO NEGREIRO” (Gladir Silva Cabral), está no 5º, dos 9 Cds que gravaram. Canção também gravada pelo Quarteto Vida e João Alexandre.
Cruzando o tempo, daqui se vê
Muito negreiro, vendendo o quê?
Traz escondido em seu mar querer
Áfricos, Tráficos, vida e ser
Vagando as ondas, escuto a dor
Feito um lamento, ai meu Senhor!
Onde a razão trata do furor,
Canta vingança da clara cor...
Por todo mar, liberdade!
Há muito tom, liberdade!
Cada lugar no oceano
Faz onda como desejar
Toda corrente é quimera só,
De quem pretende guardar a nó
A força, a vida de um ser melhor,
A força, a vida de um ser menor.
Quem é mais livre, corrente ou pé?
Mordaça ou voz, sombra ou luz, até...
E eis o silêncio, a resposta é:
“Livre é quem vive de fé em fé”.

Alessandra Vive!


Quando eu conheci Alessandra ela era uma militante dirigente do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto). Exercia uma liderança natural onde residia, na ocupação chamada Girasol (próximo ao CAIC). Na época estavam sofrendo uma ação de despejo pela PMC em conjunto com os proprietários da linha férrea. Mobilizamos a imprensa, marchamos juntos, participamos de várias assembléias com os moradores, mobilizamos o Legislativo (através do vereador Gilberto de Dora, na época PT), oferecemos assessoria jurídica com o companheiro Pedro Rômulo (PT e SINCROCAR) fomos até o Ministério Público, diversos militantes do PT e AE, da esquerda social e também do PCdoB também acompanharam. Teve militante que até pernoitou na favela pra evitar um despejo de surpresa com os PMs. Colhemos os frutos. A justiça determinou que as famílias só podiam ser retiradas se fossem definitivamente mudadas para outro local com moradia definitiva. Vencemos esta e outras batalhas ao lado de Alessandra mas a perdemos tragicamente para o tráfico. Alessandra me deixou a lição de ser altuísta (ela sempre se dedicou mais aos outros que a sí, partilhava as doações que recebia, o que era seu também pertencia aos outros). Mesmo vivendo em pobreza extrema e num local muito perigoso educou seus filhos da forma mais digna que pode.
Alessandra vive através dos futuros lutadores do povo (Jônatas, 6 meses; Aline 7 anos, Andreza, 10 anos, Alisson 12 anos e Alex 17 anos). Construtores de um amanhã menos desigual e injusto.
Alessandra Vive naqueles que lutam e gritam por Reforma Urbana Já!

Fé e política são as mesmas coisas?



Há anos que participo do Congresso Estadual do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, que acontece no Centro de Formação Paulo Freyre, assentamento Normandia. Um fato curioso é que o período de realização do mesmo é entre os dias dez e quinze de dezembro, ou seja, acabo celebrando a data de meu aniversário sempre por lá.Em um desses dia do Congresso eu conheci pessoalmente Frei Betto, frei Franciscano, escritor e palestrante renomado internacionalmente, e, militante em causas sociais. Entre vários momentos, em um deles ele apresentou alguns mandamentos para que os seguidores de Jesus possam articular a sua fé com a militância política. E foi mais ou menos isso que falou: A fé e a política destinam-se ao mesmo objetivo: realizar o projeto de Deus na História (construir uma sociedade igualitária, sinal de seu Reino). Mas não são a mesma coisa, são diferentes. A vivência da fé, no nosso dia a dia, é necessariamente política. Quem afirma que não faz política ou é mentiroso (porque está fazendo) ou é sem-vergonha (porque diz isso para enganar alguém). Ficar de braços cruzados é apoiar quem está no poder. A fé é um dom que recebemos de Deus e exercemos junto com a “comunidade dos que crêem”. A política é uma ferramenta que exige aprendizado (nós não nascemos sabendo fazer política). Uma política contrária aos direitos do povo, faz da fé expressão de uma religião “ópio do povo” e esta religião só ajuda aos interesses dos opressores. A política é autônoma (ela pode existir sem fé), não depende da fé. Mas ela caminha necessariamente na direção do horizonte apontado pela fé (o Reino). Fé e política são coisas diferentes que se complementam na prática da vida. A fé dá sentido, a direção (é como um mapa). A política faz a estrada, constrói o caminho. A fé é “alimentada” na Igreja, onde é celebrada, anunciada e refletida. A política é melhor alimentada nas lutas pelos direitos do povo, que assumem a causa dos excluídos e oprimidos. Não devemos confundir a Igreja (espaço da explicitação da fé) com os espaços da política. Mas embora diferentes (no jeito de fazer), são complementares (uma orienta a outra). A política não deve ser feita em nome da fé, mas em nome do amor e da justiça do Reino.
A fé cristã contém valores que criticam e norteiam a atividade política. Os valores do Reino (partilha, solidariedade, serviço, ...) ajudam a política a ser mais verdadeira.A política é tanto mais popular, quanto mais a gente se encontra ligado à luta do povo. A fé é tanto mais evangélica quanto mais a gente se liga ao deus da Vida, através da comunidade cristã e de nosso testemunho no mundo.
Pois bem, foi um pequeno encontro, mas muitas lições absorvidas. Há cerca de dois anos conheci Alessandra. Assassinada recentemente, mas que também deixou na minha vida lições que espero não esquecer. Mas esse papo eu deixo para outra ocasião. Até lá!

O silêncio dos bons.




"O que mais preocupa não é nem o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem-caráter, dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons."Luther King


Vejo com freqüência as pessoas reclamando de como o mundo está piorando a cada dia, mas, lamentavelmente não encontro em quase nenhuma delas disposição para atuar numa mudança. Em recente pesquisa de opinião pública brasileira, encomendada pela Confederação Nacional das Indústrias, 55% dos interrogados afirmaram que o Brasil precisava de uma revolução socialista. Ao serem perguntados o que entendiam por socialismo, responderam citando alguns valores: “amizade”, “comunhão”, “partilha”, ”respeito”, “justiça” e “solidariedade”. Então quero desde já esclarecer que é pensando nestes valores que escrevo. Ainda há muita gente que pensa que fé não convive bem com política. Tive um encontro pessoal com Jesus Cristo e isso aconteceu ainda na minha infância. Tive uma doutrina que considero saudável o que me levou a cada ano de minha vida a não mudar de rumo, ir amadurecendo a cada oportunidade de Deus falar comigo. O Cristo que conheci sofreu um processo político movido pelas autoridades judaicas e, outro, movido pelas autoridades romanas. Morreu, nos substituindo e por causa de nossos pecados, mas houve uma dimensão humana também política no fato. Ao ser transformado pelo Evangelho de Jesus deveríamos servi-lo, enquanto no mundo, em ações práticas de transformações no mundo, pensando em resgatar o projeto original de Deus. Enquanto cristãos e militante em movimentos sociais, é isso que tenho aprendido e vivenciado. Há quem me pergunte se eu não temo, por causa do ambiente que vivo, "possíveis problemas" com minha pessoa. Primeiro, quem entra na militância, tem que entrar com o coração; não basta entrar com a cabeça. Quem entra com a cabeça tem medo. Quem entra com o coração, ama tanto a causa que defende, que enfrenta situações de risco sem medo. E a segunda coisa: o contrário do medo não é a coragem, é a fé. Quanto mais a gente tem fé, quanto mais confia naquele caminho que a gente está levando, certo de que a luta que Deus quer para a gente; quanto mais se sente irmão do companheiro Jesus, que deu a vida por essa causa de esperança e de libertação, menos medo a gente sente. Já vi alguém comentar isso: "Medo nos sentimos quando pensamos primeiro em nós. Quando pensamos na causa, no movimento, no Brasil sem miséria, sem mortalidade infantil, vale a pena correr riscos." Então a "metanóia" não é nascer de novo? Não é "mudança de rumo"? O velho Che Guevara ja falava sobre o "novo homem" e a "nova mulher". A Palavra de Deus, há mais tempo ainda também.
Como superar os vícios egocêntricos que moldam em nós o homem e a mulher velhos? Só Cristo! Como criar relações sociais e estruturas sociais solidárias e cuja emulação tenha a sua fonte em nossa própria subjetividade, lá onde habita Aquele que é mais íntimo a nós do que nós a nós mesmos? Só transformando pelo anúncio do Evangelho.
Você já parou para pensar e analisar a sociedade em que Jesus viveu? O contexto sócio-político, as estruturas vividas por ele. O Brasil é um dos últimos países do mundo onde ainda não aconteceu a Reforma Agrária. Se fosse no tempo de Cristo? É difícil ser rico, latifundiário, no tempo de Jesus e ao mesmo tempo ser discípulo ser Cristão. A riqueza recebe uma das considerações mais fortes da sua boca, quando diz: ”É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus”. Mesmo diante do espanto dos apóstolos Jesus a repetiu sem pestanejar. E qual é a sua proposta positiva? A proposta positiva do Cristo é a partilha. Cristo não é contra a como tal. Também não é contra a terra. É contra a concentração da terra nas mãos de poucos. Então sua proposta é a partilha. Todos os discípulos de Jesus têm de partilhar os bens, têm de entrar numa economia de partilha, de socialização, para poder seguir Cristo. Ou seja, é impossível ser rico e ser seguidos de Cristo. Na perspectiva de Jesus isto aparece muito claro. Nós é que, muitas vezes, obscurecemos o fato por causa da ideologia do dinheiro que esta em nossas cabeças.
Vejam só! Talvez um de nossos maiores conflitos seja "como articular a minha fé com a militância política?"isso é papo para outro dia... E já foi fruto de outro encontro.

Boas Vindas

Companheiros e companheiras, estou iniciando este espaço para compartilhar um pouco mais do que penso e percebo com vocês. De início, apenas como abertura, gostaria de propor uma reflexão, juntos, sobre nossas ações e motivações. Apesar de nossas limitações, sejamos condutores do bem.

"Não podemos fazer muito sobre a extensão de nossas vidas, mas podemos fazer muito sobre a largura e a profundidade delas." (Evan Esar)

Sejam bem vindo(a)s e até o próximo!